O silêncio em um copo de Chá


"O silêncio vem do coração, não da ausência de conversa." Thich Nhat Hanh

Falar de silêncio no mundo barulhento que vivemos soa até mesmo utópico, não é verdade?


Estamos tão acostumados a sermos bombardeados de sons, imagens e barulhos que nem nos damos conta que praticamente não sabemos mais o que é estar em silêncio.

E quando raramente encontramos esse silêncio, o que fazemos? Ligamos o som, a TV, pegamos o celular para ter a certeza que não há mensagens ou email ou, então, nos perdemos instantaneamente navegando sem rumo pelas redes sociais e – imediatamente – nos tiramos daquela situação incômoda e apática que o silêncio nos coloca.


Queremos ficar em paz, mas a nossa mente nos arrasta para um ‘parque de diversões' insano sem sequer nos darmos conta.


Não é o barulho de fora, é o de dentro que nos é mais prejudicial.


O barulho interno produzido pela nossa mente tagarela, que fabrica incansavelmente pensamentos circulares e repetitivos, é o responsável por grande parte das nossas mazelas de saúde tanto físicas quanto espiritual.


É essa mente ruidosa que não nos deixa ouvir os sinais e as necessidades do nosso corpo, os anseios do nosso espírito e o cansaço e esgotamento que, muitas vezes, insistimos em ignorar.


Na maioria das vezes somos obrigados a ‘puxar o freio de mão’ quando o nosso corpo já não tem mais forças para suportar o calvário que o estamos submetendo e sucumbe nos deixando doentes.


Durante mais de uma década na minha atividade como advogada me vi nessa roda viva de uma vida barulhenta dominada por uma mente cheia de metas, desejos, prazos e exigências, até que um problema de saúde me despertou a autocompaixão, o sentimento mais nobre que podemos sentir.


Nessa época eu já me debruçava nos estudos e pesquisas sobre os Chás, fazia cursos e aguardava, ansiosamente, o final de semana chegar para, enfim, ter tempo para apreciar sem pressa, algum chá especial.


Buscando algo que, durante o meu dia de trabalho, pudesse dar uma pausa naquele padrão mental de euforia, comecei a levar alguns utensílios de Chá para o trabalho para que pudesse degustar, durante o meu expediente, os chás especiais que eu guardava para o final de semana.


Foi aí que tudo começou a mudar...


Durante aquele momento que eu esquentava a água e começava a preparar o meu chá, eu me desligava completamente. Mesmo estando sentada na cadeira do Escritório, era como se eu estivesse fora dali, sentia minha mente se tranquilizar, meu corpo relaxar e comecei a, de fato, entender o que era estar presente.


O barulho do computador, dos telefones tocando, das mensagens chegando no celular, do trânsito lá fora continuavam, mas aqui, dentro de mim, era o silêncio que imperava.


Desde então, a minha busca pelo silêncio interior tem sido constante. O chá se uniu às práticas meditativas e mesmo quando estou em um local totalmente barulhento, quando aquele líquido divido cai no copo, uma mágica acontece dentro de mim e uma onda de paz e quietude tomam conta do meu corpo e do meu espírito.


Eu encontro o meu silêncio em um copo de chá e você?



"Se você puder separar alguns minutos para si, para acalmar seu corpo, suas sensações e sua percepção, a alegria se torna possível.

A alegria da calma verdadeira se transforma em um alimento diário e curativo."

Thich Nhat Hanh


O meu Chá da Tarde às margens do Lago Paranoá

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